Eram três horas da madrugada quando levantei para fazer a mamadeira para ele. Ouvi a chuva fortíssima e pensei: Bah, vou avisar o tio do transporte que hoje eu levarei o Murilo para a escola. E assim fiquei pensando até umas sete e pouco da manhã. O motivo não era a chuva e sim a vontade de adiar a decisão de que estava na hora de testar a ida do Murilo à escola, de van, sem a minha presença.
Há uma semana e meia tenho ido junto, escondida dele. Tudo corre bem. A minha sensação é de que ele irá bem, mas por outro lado é como se mais um laço, entre nós, fosse desfeito.
Às 8h40 coloquei a jaqueta no Murilo. Essa é a senha para ele saber que irá sair de casa. Abri a porta da frente e disse: Filho, cuida que o tio da van vai chegar. Poucos segundos depois a van estaciona. Vejo aquele pequeno ser, todo encasacado, de capuz, parado na porta, se preparando para sair pela primeira vez sozinho, sem a mamãe, sem o papai e com um desconhecido.
Agora não tem mais volta. Vem à minha mente uma frase que eu sempre dizia antes de ter o Murilo: "A gente cria os filhos para o mundo". Naquele momento vi o meu filho, de 1 ano e 5 anos, indo para o mundo.
Ele deu as mãozinhas para o Tio André e foi, sem olhar para trás. Diferentemente das outras vezes, em que eu simplesmente sumia e me escondia dentro da van, desta vez resolvi me despedir. Dei um beijo, desejei boa aula e esperei na chuva o pequeno Murilo ser acomodado na cadeirinha.
Achei que eu fosse ter vontade de chorar. Achei que eu fosse querer tirá-lo da van e desistir da ideia. Mas, não foi isso que aconteceu. Eu me senti feliz e orgulhosa dele.
Seus olhinhos eram de desconfiança e de curiosidade. Ele não chorou. Nos olhamos e a porta foi fechada e com ela a certeza de que eu realmente não fiz um filho para ser meu, mas para ganhar o mundo. O percurso da nossa casa até a escola é curto, mas foram os minutos mais longos já que vivi. Esperei que ele chegasse e telefonei para a escola e depois para o tio do transporte. Tudo correu bem.
murilo
segunda-feira, 11 de julho de 2016
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Ganhamos estrelinhas
Ontem tivemos a nossa primeira reunião de pais na escola do Murilo. Sabíamos que um bebê de sete meses não receberia nota baixa em português muito menos que ouviríamos reclamação de falta de atenção em sala aula, mas estávamos ansiosos pela avaliação.
De forma reservada, na sala da diretora Kátia, juntamente com a "profe" do Murilo, a Débora, ouvimos elogios e recebemos a "avaliação" dele em forma de fotos, que foram carinhosamente organizadas no "Álbum de Família", a família da escola.
Ouvir que o Murilo é uma criança feliz nos deixou felizes. Ouvir que o Murilo é esperto também nos deixou felizes. Mas, ouvir que o Murilo é o que somos, o nosso reflexo, pela forma como fizemos ele cumprimentar todos na escola nos deixou muito emocionados. Ouvir que a "profe" Kátia nos têm como exemplo de bons pais foi um golpe fatal em nossos corações.
Afinal, estamos a recém nas primeiras lições sobre como ser pais. Acredito que ontem todos nós ganhamos muitas estrelinhas.
De forma reservada, na sala da diretora Kátia, juntamente com a "profe" do Murilo, a Débora, ouvimos elogios e recebemos a "avaliação" dele em forma de fotos, que foram carinhosamente organizadas no "Álbum de Família", a família da escola.
Ouvir que o Murilo é uma criança feliz nos deixou felizes. Ouvir que o Murilo é esperto também nos deixou felizes. Mas, ouvir que o Murilo é o que somos, o nosso reflexo, pela forma como fizemos ele cumprimentar todos na escola nos deixou muito emocionados. Ouvir que a "profe" Kátia nos têm como exemplo de bons pais foi um golpe fatal em nossos corações.
Afinal, estamos a recém nas primeiras lições sobre como ser pais. Acredito que ontem todos nós ganhamos muitas estrelinhas.
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